Rosemeire Garófolo Psicóloga



PROPÓSITO DE VIDA: VOCÊ TEM UM?

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PROPÓSITO DE VIDA: VOCÊ TEM UM?

O Que é Propósito de Vida?

 

Você olha o relógio, são 17 horas, gostaria de fazer uma parada para um lanche, mas o dia está cheio, precisa entregar aquele relatório que está quase pronto. Ainda precisa retornar para um cliente importante e colocar em pauta a reunião da semana, fora tantas outras ações que dependem de suas decisões. O telefone, toca, as pessoas te solicitam e você corre para dar conta de tudo.

Quem olha de fora pode até acreditar que você está sendo consumido pelo trabalho, mas você se sente pleno, feliz e produtivo. Embora a lista de afazeres seja grande, você sente que cada parte do seu trabalho vale a pena e te enche de sentido e magnitude!

A estória poderia ter outro desfecho, com você se sentindo estressado, cobrado, explorado e sem energia. Então o que muda nesses dois finais? A forma como você se relaciona com aquilo que você faz!

Você já parou para pensar porque você faz o que faz? Ou deixa a vida rolar para ver onde vai dar, fazendo tudo de forma mecânica, sem ao menos querer entrar em contato com essa realidade?

A verdade é que o mundo mudou e cada vez mais as pessoas têm se dado conta que a vida pode ser bem mais do que aquilo que lhe foi apresentado.

O psicólogo norte americano Abraham Maslow (1908 – 1970) teorizou a Pirâmide das Necessidade humanas, onde em sua base estariam as necessidades fisiológicas de comida, abrigo e subsistência. Logo acima, as necessidades mudam para segurança do corpo e das propriedades.

Vencendo essas duas bases fundamentais, as necessidades ganham uma nova dimensão e seguem na sequência: necessidade social (amor, amizade, comunidade), estima (reconhecimento, autoestima) e realização pessoal (criatividade, talento, desenvolvimento).

Por muito tempo a humanidade lutou pela subsistência e domínio dos meios naturais, estava na base da pirâmide. Atualmente, as mudanças tecnológicas, econômicas, científicas e filosóficas proporcionaram uma mudança de status quo na forma como o homem se relaciona consigo e com a forma de estar no mundo e muita gente se encontra na parte mais estreita da pirâmide.

E nesse novo cenário uma questão existencial parece emergir como foco central da preocupação humana individual:  O que eu vim fazer nesse mundo?

A resposta para essa questão está ligada a uma palavra que vem sendo largamente usada em várias áreas do saber humano: Propósito de Vida. Na nova era, propósito deixa de ser um simples objetivo de se alcançar algo e ganha um sentido maior, encharcado de identidade, sendo traduzido no desejo de fazer algo que tenha sentido para quem o faz.

O mestre espiritual Sri Prem Baba, em seu livro Propósito: A coragem de Ser Quem Somos, cuja leitura eu fortemente recomendo diz:  ‘Saber qual é o propósito é saber o que viemos fazer aqui, e o que viemos fazer aqui está intimamente relacionado àquilo que essencialmente somos, ou seja, o programa individual da alma está relacionado à consciência do Ser… Cada alma traz consigo dons e talentos que são a maneira única que o amor se expressa através de nós”.

Assim, Propósito de vida tem a ver com o alinhamento entre o que você faz e o que você é, ou seja, um encontro entre o seu fazer e a forma de ser. É aquilo que se busca atingir com a grande vontade de realizar algo, imprimido um significado emocional no seu objetivo, para que se sinta pertencente ou servidor de algo maior que você.

Nessa perspectiva, propósito de vida está relacionado em fazer algo com paixão e envolvimento, maior vigor e disposição o que lhe conduz a atenção plena e pico de performance de forma natural.  Simplificando, propósito é ter significado e prazer no que se faz.

 

Agora que você já sabe o que é propósito fica a pergunta: Você tem um?

 

A melhor forma encontrar seu propósito é olhar para dentro e lançar o questionamento sobre a vida que está levando, a vida que gostaria de ter e os obstáculos que o impedem, isolando componentes externos.

Faça a seguinte reflexão: se hoje, por algum momento lhe fosse concedido o poder de transformar a sua vida completamente, independente de tudo que já viveu, o que faria? Quem você seria? Onde estaria?

Isso já lhe dará uma boa pista de sua identidade.

Algumas perguntas são poderosas e nos colocam em contato com nossas verdades. Tente responder mais essas questões:

Quem é você?

Porque está como está?

O que você faz com muita facilidade?

O que as pessoas te solicitam com frequência?

Quais são as dores do mundo?

Como o seu fazer pode contribuir para amenizar a dores do mundo?

Qual o motivo de fazer o que faz?

Por vezes nossos talentos podem estar mais visíveis do que imaginamos, porque estamos tão acostumados a fazer algo que nem nos damos conta.

Uma colega de setor, em uma das várias empresas em que trabalhei, tinha uma facilidade de organização impressionante. Não estava dando certo, não cabia, não tinha lugar para… bastava chamá-la que ela dava um jeito, com criatividade e organização. Um dia alguém lhe deu a ideia… “porque você não ajuda pessoas bagunceiras a se organizarem?” Ela nunca tinha pensado nisso, pois para ela era apenas seu jeito de ser. Hoje ela tem uma empresa de organização pessoal e é uma autoridade no assunto.

Aquilo que parecia somente o jeito de ser virou seu propósito e seu “ganha pão”, que hoje realiza com satisfação, ajudando muita gente a melhorar a qualidade de vida.

Outra dica muito importante é olhar suas referências. Quem foram as pessoas significativas em sua vida? O que elas lhe ensinaram? Quem são as pessoas que admira hoje? O que elas lhe passam de valores?

A frase do palestrante motivacional norte-americano Jim Rohm que ficou famosa e ainda é muito utilizada nos dias de hoje diz que você é a média das 5 pessoas que mais convivem. Para além dessa frase, o que vigora aqui é a lei da afinidade; as pessoas que andam com você dizem mais sobre você do que possa imaginar.

Promover a quebra de padrões dando a possibilidade de novas formas e novos olhares é outra maneira de promover autoconhecimento e pode abrir seu horizonte para a descoberta de algo que possa estar ali e você ainda não se deu conta.

No decorrer da vida adotamos alguns comportamentos para lidarmos com as adversidades que surgem no caminho e acabamos nos condicionando a modelos que não nos servem mais, porque o cenário mudou e nem percebemos.

Reprogramar crenças disfuncionais, descondicionando comportamentos mentais cristalizados possibilita a abertura para o novo e para apropriação de nossa verdadeira essência.

Por final, não coloque a felicidade no final da conquista! Por mais que pareça clichê, a frase é muito verdadeira; a satisfação está na trilha do caminho e não no ponto de chegada e é o que dá sentido ao fazer produtivo.

 

Porque viver nosso propósito pode ser a melhor forma de se ter uma vida mais plena?

 

Por muito tempo o eixo central da psicologia quanto ciência foi estudar os fenômenos ligados as patologias mentais e aos problemas humanos.

Recentemente, no início da década de 1990, Martin Seligman, psicólogo e professor na Universidade da Pensilvânia lançou um novo questionamento aos estudos dos fenômenos psicológicos: porque não olhar o que dá certo com as pessoas e o que às tornam mais felizes?

Nascia a Psicologia Positiva, cujo foco de estudo é compreender o que faz a vida valer a pena, trazendo um enfoque aos aspectos positivos das qualidades e virtudes humanas.

Em uma análise subjetiva (que é intimo de cada um), a psicologia positiva trás em um de seus pilares as Emoções Positivas, que diz respeito aos sentimentos de bem-estar, contentamento, satisfação, esperança, otimismo, engajamento (flow) e a felicidade.

Não só a psicologia positiva, mas as ciências psicológicas como um todo, propõe a busca do entendimento de se saber o que se quer da vida e quais os elementos serão importantes para a realização de um trabalho com propósito para uma vida mais gratificante e feliz.

Nesse sentido, viver seu propósito conduz aos sentimentos propostos no pilar das Emoções Positivas. Porém, eu gostaria de focar no engajamento, essa palavrinha: FLOW que na língua portuguesa significa fluxo e você verá como pode fazer toda a diferença!

Para o psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, criador do conceito, entramos em estado de flow quando realizamos uma tarefa muito gratificante.

O flow é um estado mental positivo, altamente focado, onde a pessoa está totalmente absorvida pelo que está fazendo e não sente o tempo passar. Sabe quando você fica tão envolvido no que está fazendo que até perde a noção do tempo?

O estado de flow demostra que o interesse e a satisfação de se fazer algo, são os princípios que fazem a vida valer a pena e nos colocam em um processo motivacional, desafiando nossas próprias habilidades.  Esse algo pode ser qualquer atividade como dançar, praticar esportes ou artes, construir algo, entre tantas outras atividades, inclusive o trabalho, que ocupa grande parte do nosso dia.

Além disso, o flow possibilita um estado alterado da mente minimizando os conflitos entre pensamento, sentimentos e razão que vivenciamos diariamente por conta dos nossos problemas do passado ou do futuro, já que ficamos totalmente focado no aqui e agora, contribui para que corpo e mente fiquem em perfeita harmonia.

Ou seja, o indivíduo sente-se feliz, dando o melhor de si pelo simples fato de fazer algo que ele escolheu fazer por identificação, encontrando sentido e plenitude na vida.

Agora que você já sabe o que é propósito, tem uma boa noção de como alcançá-lo e o que ele pode proporcionar em sua vida, vamos para ação?

O primeiro passo seria promover o autoconhecimento para ter uma clara noção daquilo que te satisfaz e na sequência traçar planos e objetivos, afinal de contas viver uma experiência flow requer encontrar seu próprio caminho rumo a realização do sonho desejado. Vamos com fé!

 

 

 

 

 

 

 

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