Rosemeire Garófolo Psicóloga



SAÚDE EMOCIONAL: O QUE VOCÊ PRECISA SABER QUE NINGUÉM TE CONTOU

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SAÚDE EMOCIONAL: O QUE VOCÊ PRECISA SABER QUE NINGUÉM TE CONTOU

Afinal, o que é saúde emocional?

 

Não existe um único conceito sobre saúde emocional, pois há aspectos culturais e subjetivos ( próprio da interpretação de cada ser) que o definem.

Podemos compreender a saúde emocional como a capacidade de administrar a própria vida e nossas emoções dentro de uma grande concepção que envolve o meio onde vivemos e o outro.

Podemos dizer que saúde emocional é a capacidade de lidar com as diversas emoções, sejam elas agradáveis ou desagradáveis, equilibrando o mundo interno (mente) com a realidade que se apresenta (mundo externo)

Assim, saúde emocional tem a ver com a autopercepção, isto é, a forma como você se vê e se sente em relação a você mesmo, ao outro e ao mundo, sentindo-se em paz com sua história e com a pessoa que quer ser.

E é esse bem-estar psicológico que possibilita a qualidade nas relações, conduzindo as adversidades do mundo de forma mais assertiva para conceber uma vida com maior plenitude.

 

Para verificar como anda sua saúde emocional busque responder a essas questões:

 

Como eu me sinto em relação a mim mesmo e ao mundo?

Qual o grau de satisfação com minha vida?

Minha vida tem sentido e propósito?

Como anda a qualidade dos meus relacionamentos?

Como estão as minhas emoções?

Como andam meus pensamentos?

 

Você tem alguma dúvida de que sua vida é estruturada por questões emocionais?

 

Todas as nossas ações são pautadas em componentes emocionais, desde a escolha da roupa que vamos vestir até a decisão de um casamento.

A princípio, o processo parece simples:  pensamentos conduzem a emoções e emoções conduzem a ação. Por exemplo: você está as 15h da tarde no seu posto de trabalho e aí pensa – seria ótimo comer aquele bolo de chocolate!

Na hora você é invadido pela lembrança do bem-estar de comer o bolo e se tiver oportunidade irá fazê-lo.

A questão é: o que desencadeia este pensamento?

Agora fica um pouco mais complexo porque estamos falando de processos mentais. E nosso processo mental é um sistema que foi sendo construído junto com nossa história de vida.  Isso quer dizer que nossa forma de pensar hoje carrega todas as nossas experiências passadas, ou seja, usamos o passado para fazer uma leitura do presente.

Calma, vou explicar melhor!

Quando bebê somos aquilo que Freud chamou de onipotente. Você já percebeu como um bebezinho vira o rei da casa? Tudo gira em torno dele, basta um chorinho para todos irem socorrê-lo – é puro amor! Daí a onipotência.

A medida que crescemos e ficamos mais independentes começamos a ouvir os primeiros nãos – não pode por o dedo aí, não pode subir ali, não pode colocar isso na boca, não pode…

Nesse novo cenário não basta mais abrir o berreiro, o amor antes gratuito passa a ser condicionada o a algo: o comportamento desejado pelos nossos pais (vou me referir a pais, mas entenda como o cuidador principal). Aquilo que fazemos agrada ou desagrada nossos pais!

A depender das exigências desse ambiente; pais muito exigentes e punitivos ou, pais permissivos ou ainda, pais educadores (que coloca a criança para pensar), aliado aos comportamentos dos mesmos (modelo para a criança em formação), iremos construir nosso sistema de crenças e valores

Serão essas primeiras referências, inevitavelmente na primeira infância, que irão construir o que chamamos de persona, ou seja, o personagem que irá se relacionar com o mundo, conforme suas exigências.

Mas porque um personagem, você vai questionar?

Porque vamos montando uma espécie de Guia do Eu. Se o ambiente for muito exigente, não permitindo erros, por exemplo, você poderá registrar o perfeccionismo como forma de agir, assim como se for tolerante demais, poderá registrar no seu guia a não necessidade de ser responsável.

Nesse guia definimos o que temos que fazer para ser aceitos e gostados, já que o amor antes gratuito passa a ser condicionado a algo. Não tenha dúvida, no fundo é tudo que queremos, ser amado!

Esse roteiro vai sendo atualizado à medida que crescemos, às vezes com versões bem modernas, mas a essência é a mesmo.

Se no seu guia você determinou que teria que ser inteligente, esperto, bonito, magro, malandro, malvado, vítima e as vezes até bobo… serão esses componentes que estarão sustentando seu pensamento. E é com esses “óculos” que você interpretará a realidade que irá se apresentar a sua frente.

E assim vai sendo montado nossa psique que irá gerenciar toda nossa saúde emocional!

O que você registrou no seu Guia do EU?

Já pensou nisso?

 

Retornemos ao bolo de chocolate!

Porque você ficou com vontade de comer bolo de chocolate as 15:00h da tarde, sendo que retornou do almoço as 14:00h?

Vamos imaginar que você trabalha num ambiente hostil, de muitas cobranças e ameaças e na próxima semana terá que fazer uma apresentação para seu chefe e colegas.

No seu guia consta que precisa ser infalível, mas você não se acha bom o suficiente, assim é invadido por um medo terrível de falhar, de ser ridicularizado e até perder o emprego. Isso tudo acontece em milésimos de segundos, de forma inconsciente.

De repente lhe vem à mente a lembrança daquele bolo delicioso de chocolate.

O medo gerou um estado de tensão que desequilibrou sua mente e imediatamente um sistema de defesa interno dá o comando: “coma um bolo que se sentirá melhor!”

Isso significa dizer que todo fator agradável compensa o desagradável, daí as compulsões por comer, comprar, passear, usar entorpecentes, sexo demasiado e etc.  Isso quer dizer que pessoas infelizes ou tristes tendem a desenvolver algum tipo de compulsão.

Veja que ao mesmo tempo que está acontecendo uma porção de coisas ao nosso redor também está acontecendo muitas coisas dentro de nós, no nosso mundo interno, por isso é tão importante promovermos o autoconhecimento.

Somente a percepção de nós mesmo nos da a capacidade de entender o quanto nosso passado poderá interferir no nosso presente. Se você está usando “óculos com lentes erradas”, jamais enxergará a realidade, por mais que se esforce.

Por meio do autoconhecimento teremos uma boa noção de nossas crenças, dos nossos valores e de tudo aquilo que usamos para preencher nosso guia, desenvolvendo uma boa saúde emocional Só assim conseguiremos nos descondicionar dos erros apreendidos, ressignificando fatos importantes para traçarmos novos caminhos!

 

Referências: Como desenvolver a saúde emocional – Oliver James

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